Paraná
Filiação partidária no Paraná cai em 10 anos, muda de lado político e acompanha o poder
Nos últimos dez anos, o Paraná viveu um intenso processo de transformação política. O Estado passou por dois governos distintos no Executivo estadual, enfrentou mudanças profundas no cenário nacional e viu surgir novas forças partidárias enquanto siglas tradicionais perderam espaço. Mas quando o assunto é filiação partidária, o dado mais relevante é outro: o número total de paranaenses filiados a partidos políticos diminuiu, mesmo com o crescimento da população.
Em 2015, o Paraná tinha cerca de 1.000.465 filiados a partidos políticos. Em 2025, esse número caiu para aproximadamente 960.723. No mesmo período, a população cresceu de 11.163.018 para 11.890.517 habitantes. A proporção de pessoas filiadas a partidos passou de 8,96% para 8,08% da população.
Ou seja, apesar da polarização política, das grandes eleições e das disputas intensas nos últimos anos, a mobilização formal por meio da filiação partidária não acompanhou o crescimento do Estado.
Os 10 partidos com mais filiados no Paraná em 2025
O ranking dos partidos com maior número de filiados no Paraná mostra uma mistura de siglas históricas e partidos que cresceram a partir de ciclos de poder:
- MDB – cerca de 145 mil filiados
- PSD – cerca de 88 mil
- PT – cerca de 76 mil
- União Brasil – cerca de 71 mil
- PSDB – cerca de 70 mil
- PP – cerca de 65 mil
- PDT – cerca de 56 mil
- PL – cerca de 54 mil
- Republicanos – cerca de 44 mil
- Podemos – cerca de 42 mil
Esse ranking mostra que ter estrutura histórica e presença municipal ainda conta muito, mas também que partidos ligados a governos e a lideranças nacionais crescem mais rápido.
Governo estadual e impacto nas filiações
Entre 2015 e abril de 2018, o governador do Paraná foi Beto Richa (PSDB). Nesse período, o PSDB ainda tinha forte presença no Estado, mas já enfrentava desgaste político nacional, o que afetou sua capacidade de atrair novos filiados.
Desde 2019, o Paraná é governado por Ratinho Junior (PSD). A partir daí, o PSD apresentou crescimento constante em filiação, consolidando-se como uma das principais forças políticas do Estado. O partido se fortaleceu principalmente no interior, com presença em prefeituras, câmaras municipais e articulação regional.
Na prática, o ciclo se repetiu: partidos no comando do Executivo estadual tendem a crescer em filiação, porque concentram visibilidade, estrutura e influência local.
O efeito Bolsonaro e a migração do eleitor conservador
Entre 2017 e 2019, Jair Bolsonaro esteve filiado ao PSL. O partido explodiu em número de filiados no Paraná nesse período, impulsionado pela candidatura e depois pela eleição do então presidente.
Quando Bolsonaro saiu do PSL, o partido perdeu força e acabou se fundindo ao DEM, formando o União Brasil. Parte significativa da base conservadora migrou depois para o PL, partido ao qual Bolsonaro se filiou em 2021.
No Paraná, o comportamento foi claro:
- – O PSL cresceu muito até 2019
- – Depois perdeu filiados
- – O PL passou a crescer fortemente após a filiação de Bolsonaro
Isso mostra que, para uma parcela do eleitorado, a figura do líder pesa mais que a sigla em si.
PT, impeachment e retorno ao poder
Em 2015 e 2016, o Brasil era governado por Dilma Rousseff (PT). Após o impeachment, Michel Temer (MDB) assumiu a Presidência, e o PT entrou em um período de retração política.
Com a eleição de Bolsonaro em 2018, o PT deixou o governo federal e manteve uma base militante fiel, mas com dificuldade para ampliar sua filiação.
Em 2022, com o retorno de Lula (PT) à Presidência, o partido voltou a crescer em número de filiados no Paraná, mostrando que estar no governo federal ainda é um fator decisivo para reativar a base partidária.
Panorama ideológico dos filiados no Paraná
Observando os últimos dez anos, o comportamento dos filiados no Estado seguiu três fases principais:
- 2015-2016: força maior do centro e centro-esquerda
- 2018-2021: crescimento intenso da direita conservadora
- 2022-2025: reequilíbrio, com crescimento do PT e manutenção da força do centro
Hoje, o Paraná tem maioria de filiados em partidos de centro e direita, com a esquerda mantendo uma base organizada, porém menor em volume total.
O que isso diz sobre a política no Paraná
O dado central da década é este: a população cresce, mas a filiação partidária não acompanha. Isso sugere que parte do eleitorado participa politicamente por outros meios (redes sociais, movimentos, protestos, voto), mas não vê mais o partido como porta de entrada natural para a política.
O engajamento existe, mas está menos institucionalizado.
Filiação e representação: o que acontece quando isso chega às eleições
No fim do processo, a filiação não garante automaticamente poder institucional. Quando se observa o resultado nas urnas, o que pesa mais são nomes competitivos, alianças regionais e estratégia.
No Paraná, por exemplo, partidos com muitos filiados não necessariamente elegem mais deputados, enquanto siglas menores em número de filiados conseguem bancadas relevantes quando têm bons quadros e articulação.
Hoje, Ratinho Junior (PSD) governa o Estado com uma base ampla, formada por vários partidos aliados. O PSD cresceu muito em filiação, mas seu poder se expressa mais pela liderança no Executivo e pela coalizão política do que pelo tamanho de uma bancada própria.
Na prática, o que se vê é que o poder no Paraná se constrói mais por alianças do que por tamanho de partido.
A última década mostrou que:
- O total de filiados caiu, mesmo com crescimento populacional
- As filiações seguem o poder, mais do que a ideologia
- Trocas de presidentes e governadores influenciam diretamente os movimentos partidários
- A política paranaense está cada vez mais dinâmica e menos dependente de estruturas tradicionais
O Paraná vive um cenário em que as pessoas continuam politizadas, mas cada vez menos filiadas. A política mudou de forma. O eleitor ainda participa, mas nem sempre escolhe fazer isso dentro de um partido.
Catve.com
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