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Brasil

Dívida milionária em jogos on-line: viúva faz alerta sobre o vício que matou tenente da PM

O que começou como uma tentativa de conseguir dinheiro para quitar dívidas terminou em uma tragédia que mudou para sempre a vida de Raquel Maria. Viúva do tenente da Polícia Militar de Goiás, Danilo Lopes Negrão, ela decidiu transformar a dor em um alerta sobre os riscos dos jogos de apostas on-line.

Em entrevista à apresentadora Olga Bongiovanni, para o programa A Gente POD, Raquel relembrou como o marido entrou no universo das apostas esportivas durante a Copa do Mundo de 2022. Segundo ela, a promessa de ganhos rápidos e as primeiras vitórias fizeram com que ele aumentasse gradativamente os valores apostados. “Ele ganhava e apostava tudo de novo. Não usava o dinheiro para outra coisa”, contou.

Com o passar dos meses, o que parecia apenas uma forma de conseguir renda extra se transformou em um vício. Para continuar apostando, o policial passou a fazer empréstimos e acumular dívidas.

Raquel conta que só percebeu a gravidade da situação quando o marido apareceu desesperado, pedindo ajuda.

“Ele entrou no quarto muito abalado, dizendo que estava com uma dívida enorme e que não conseguiria sair daquela situação sozinho.”

A família tentou ajudá-lo. O pai quitou parte das dívidas e os familiares buscaram apoio psicológico para que ele enfrentasse a compulsão. Apesar da promessa de abandonar os jogos, Danilo continuou apostando escondido.

Segundo Raquel, a vergonha pelas dívidas e o sentimento de fracasso fizeram o estado emocional do marido se deteriorar rapidamente. “Ele era uma pessoa muito honesta. Acho que o maior desespero era perceber que não conseguiria pagar o que devia.”

Nos últimos meses de vida, o policial passou a apresentar sinais de ansiedade e depressão. A viúva lembra que ele falava com frequência sobre tirar a própria vida e chegou, diversas vezes, a descrever como faria isso. “Ele me chamava e dizia onde faria aquilo. Parecia que já estava planejando tudo. Eu tentava conversar, pedia para ele rezar, procurávamos ajuda, mas ele estava completamente transtornado.”

No dia da tragédia, Danilo acreditava que conseguiria recuperar todo o dinheiro perdido. Convencido de que o resultado de uma partida era praticamente certo, fez uma aposta de R$ 140 mil. O time perdeu.

Horas depois, enquanto Raquel dormia, ele entrou no quarto para se despedir. “Ele dizia que me amava, que eu seria a mulher da vida dele. Eu tentei impedir, mas não consegui.”

O tenente morreu aos 41 anos, deixando a esposa e uma filha de oito anos.

Dívida milionária em jogos on-line: viúva faz alerta sobre o vício que matou tenente da PM

Relatos 

Depois de compartilhar sua história nas redes sociais, Raquel passou a receber mensagens diariamente de pessoas que enfrentam a dependência em apostas.

Segundo ela, os relatos chegam de homens e mulheres de diferentes idades e classes sociais, incluindo adolescentes que apostam escondidos dos pais.

“Muita gente sofre em silêncio. Tem pessoas que contam que a esposa não sabe, os pais não sabem. Elas pedem ajuda porque não conseguem mais sair desse ciclo.”

Para Raquel, um dos maiores perigos dos jogos está justamente na falsa sensação de controle. Ela explica que os primeiros ganhos incentivam apostas cada vez maiores, até que o jogador passa a tentar recuperar tudo o que perdeu.

“No começo o jogo entrega dinheiro. Depois a pessoa passa a apostar cada vez mais tentando recuperar o que perdeu, e é aí que ela acaba afundando.”

Alerta

Hoje, Raquel utiliza a própria história para conscientizar outras pessoas sobre os riscos da compulsão em jogos de apostas. Ela faz um apelo para que quem enfrenta esse problema procure ajuda o quanto antes e orienta familiares a ficarem atentos a mudanças de comportamento.

“Peço, pelo amor de Deus, que as pessoas desinstalem esses aplicativos. Contem para alguém de confiança o que está acontecendo e procurem ajuda psicológica e psiquiátrica. Tem saída. Não vale a pena perder a vida por causa de um jogo.”

Catve.com

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