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O sorriso da foto

O sorriso da foto
access_time 11 de julho de 2019 chat_bubble_outline 0 comentários
Aí voltamos ao sorriso da foto. Longe das lentes, qual seria o sorriso? Por trás das lentes, qual seria a dor? O fato é que estamos todos perdidos nesta engrenagem. Correndo atrás dos números, esquecemos o “humano” que existe em nós.

Não há como olhar para esta foto, sem emoção. O sorriso de “seo” Luiz Hoflinger foi para mim. Explico: geralmente a Bruna Scheidt se posiciona para a foto e eu fico atrás fazendo “macaquice” para o personagem. É uma forma de quebrar o gelo. De sorrir para o personagem e ele retribuir. Sem querer arrancamos o melhor sorriso de “seo” Luiz. O sorriso da foto.

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Pessoa fácil de entrevistar e fotografar (sem frescura alguma), acatava as ideias, entrava no clima das poses, brincava e confiava. Confiança é uma palavra forte, mas é a palavra que o define. Ontem, em sua despedida, foi a palavra que mais ouvi de sua assessora de imprensa, Juliane Flores. Confiança. E foi a palavra que mais estava estampada no rosto de cada um que esteve lá.

Como um bom líder que era, “seo” Luiz criou confiança entre seus seguidores. Não por acaso, centenas deles fizeram questão de retribuir com um último adeus. Em cada lágrima, em cada olhar perplexo, em cada abraço, uma prova de amor e uma pergunta: por que?

Aí voltamos ao sorriso da foto. Longe das lentes, qual seria o sorriso? Por trás das lentes, qual seria a dor? O fato é que estamos todos perdidos nesta engrenagem. Correndo atrás dos números, das metas e dos ativos, esquecemos o “humano” que existe em nós. Mas chega uma hora em que é preciso, sim, fazer um balanço. Um balanço do que resta da vista.

Um balanço de quantos pores-do-sol deixamos de apreciar. De quantos vinhos deixamos de saborear. De quantas risadas sufocamos. De quantos abraços economizamos. De quantos “nãos” para tomar um café com um amigo recusamos por estarmos “enterrados” de trabalho. Resta este balanço. E resta também esta vontade de chorar diante da dúvida. Diante dessa cólera que nos invade quando nos sentimos impotentes diante da morte.

Como bem escreveu Rubem Alves, não, “eu não acredito que a vida biológica deva ser preservada a qualquer preço”. “Para todas as coisas há o momento certo. Existe o tempo de nascer e o tempo de morrer.” (Eclesíastes 3.1-2).

Para Rubem, a vida era como uma sonata. É preciso terminar. A morte é o último acorde que diz: está completo. Tudo o que se completa deseja morrer! Mas, sinceramente, não acho que sua jornada estava completa ainda “seo” Luiz. Havia muitos sorrisos a dar. Havia uma caminhada. Uma missão. Porém, entendo que assim como o pôr-do-sol é belo porque suas cores são efêmeras – em poucos minutos não existirão mais – sua vida continua com todas as cores que plantaste.

São as cores do amor. Do seu amor pelo cooperativismo. Do seu amor pelo Sicredi. Mas, acima de tudo, do seu amor pelas pessoas! Que em nossos crepúsculos, possamos lembrar do seu sorriso (o da foto) como um instinto de vida! Hasta la vista…

Em tempo: olhe para esta fotografia e veja a inscrição ao fundo. Sim, é para você também!

Fonte: Revista Aldeia
Texto: Rejane Martins Pires 
Foto: Bruna Scheidt

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