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Novo transporte coletivo de Foz prevê mais ônibus, novas linhas e tarifa de R$ 6; audiência reúne críticas e sugestões da população

O Instituto de Transportes e Trânsito de Foz do Iguaçu (Foztrans) apresentou, na noite desta quinta-feira (6), a proposta do novo modelo de concessão do transporte coletivo do município. A audiência pública, realizada no auditório do Sest/Senat, reuniu representantes da Prefeitura, técnicos responsáveis pelo estudo, usuários do sistema, estudantes, trabalhadores do setor e entidades da sociedade civil.

O encontro marcou uma etapa importante antes da publicação do edital da nova concessão. Durante a audiência, foram apresentados os estudos elaborados pela Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas (Fepese), que serviram de base para a construção do novo modelo.

A proposta prevê uma ampliação da estrutura atual do transporte coletivo, com aumento da frota de 98 para 108 ônibus, crescimento de 34 para 41 linhas, além da ampliação no número de viagens diárias.

Nos dias úteis, o sistema passaria das atuais 702 viagens para 1.183. Aos sábados, a previsão é sair de 583 para 930 viagens. Aos domingos, o aumento seria de 298 para 489 viagens. A quilometragem mensal também teria expansão, passando de aproximadamente 600 mil para 800 mil quilômetros.

Entre as melhorias previstas estão a renovação permanente da frota, redução da idade média dos veículos, ar-condicionado em todos os ônibus, aumento da frequência e reorganização das linhas para reduzir o tempo de deslocamento.

O contrato da nova concessão terá duração de 20 anos, permitindo investimentos e planejamento de longo prazo.

Prefeitura defende participação popular e equilíbrio financeiro

O chefe de gabinete da Prefeitura de Foz do Iguaçu, Márcio Ferreira Bortollini, destacou a importância da audiência pública como uma oportunidade para ouvir a população antes da definição do projeto.

Segundo ele, o momento permite receber críticas, sugestões e propostas de melhorias.

“A audiência pública é um momento importante quando estamos tratando de decisões que são relevantes para o município e vão impactar direta ou indiretamente toda a sociedade. É um momento em que a gente dá abertura para a população conhecer a proposta, trazer percepções, indicações, pontos de melhoria e sugestões”, afirmou.

Márcio explicou que a principal dificuldade está relacionada à sustentabilidade financeira do sistema.

“Nós temos um ponto muito crítico, que é a sustentabilidade econômica dessa melhoria. Então, a gente prevê, por exemplo, o aumento da tarifa, que não é de fato um aumento, é apenas uma recomposição da inflação”, disse.

A proposta apresentada prevê uma tarifa pública de R$ 6.

Sobre a gratuidade estudantil, o chefe de gabinete afirmou que não haverá retirada do benefício.

“O estudante que tem a necessidade de duas passagens por dia vai ter essas duas passagens. Aquele que tem necessidade de quatro passagens por dia vai continuar com esse benefício”, explicou.

Foztrans diz que novo modelo busca recuperar passageiros

O diretor do Foztrans e responsável pelo acompanhamento do edital, Robson Lima Souza, afirmou que a proposta é resultado de estudos iniciados em 2025.

“Esse momento é a consolidação de todo o estudo realizado desde janeiro de 2025. Agora conseguimos apresentar uma modelagem para a população, uma oferta de transporte coletivo que vai atender os anseios da sociedade”, afirmou.

Segundo ele, atualmente mais de 53 mil passageiros utilizam o transporte coletivo todos os dias em Foz do Iguaçu.

“O transporte coletivo precisa funcionar bem, ele é o principal modal da mobilidade. Melhorando o serviço, com mais eficiência e conforto, esperamos aumentar esse número, o que reduz diretamente a necessidade de uso do transporte individual”, destacou.

Sobre os questionamentos da população, Robson afirmou que as manifestações são importantes para aprimorar o projeto.

“Os usuários que estão todos os dias conseguem perceber as deficiências e dificuldades. Hoje é a apresentação da consolidação de todo esse estudo para passar pelo crivo da sociedade e fazer os últimos ajustes”, explicou.

Sobre o passe livre estudantil, ele afirmou que houve uma interpretação equivocada da proposta.

“Não é uma suspensão ou perda de direitos. A questão é que, para promover uma melhoria, isso tem um custo. O objetivo é equalizar a situação das gratuidades e garantir o benefício para quem realmente precisa”, disse.

Estudo da Fepese aponta necessidade de reorganização das linhas

O gerente executivo do setor de transporte de passageiros e mobilidade urbana da  Fundação de Estudos Socioeconômicos (FEPESE), responsavel pelo estudo, Victor Marques Caldeira, explicou que Foz do Iguaçu possui características próprias que dificultam a operação.

“Foz do Iguaçu é um município que tem uma circulação turística muito significativa e também um crescimento com espraiamento urbano, com vazios de ocupação. Isso traz dificuldades operacionais para proporcionar uma acessibilidade igualitária e eficiente”, afirmou.

Segundo ele, o diagnóstico identificou uma grande sobreposição de linhas.

“Foram sendo dimensionadas e criadas novas linhas que acabavam se sobrepondo em algumas localidades. Isso gerou um sistema custoso e até certo ponto ineficiente”, explicou.

A solução apresentada é a implantação gradual de um sistema tronco-alimentador, com corredores principais de transporte e linhas alimentadoras ligando os bairros.

Victor também citou a possibilidade de novos terminais.

“O estudo apresenta um cenário de médio prazo com a construção de mais dois terminais, um na região Norte, próximo à Vila C, e outro na região de Três Lagoas”, afirmou.

Observatório Social cobra evolução do sistema

O presidente do Observatório Social do Brasil em Foz do Iguaçu, Haralan Mucelini, avaliou que a audiência representa um avanço, mas defendeu ajustes na proposta.

“Finalmente a Prefeitura tem uma proposta. Isso já é um avanço. É uma proposta que melhora em relação ao sistema atual, até porque o atual é muito ruim”, afirmou.

Apesar disso, ele avaliou que o modelo ainda precisa evoluir.

“O contrato que vai ser firmado é por 20 anos e precisa ter capacidade de absorver ao longo do tempo as mudanças necessárias no sistema”, disse.

Haralan também lembrou que o Observatório questionou a renovação do contrato anterior.

“Nós denunciamos a Prefeitura quando resolveu renovar o contrato com a atual empresa, sendo que o próprio contrato dizia que não era possível fazer isso. O Tribunal de Contas determinou que a Prefeitura não renovasse mais esses contratos e realizasse uma nova licitação”, explicou.

Usuários relatam dificuldades no dia a dia

Durante a audiência, usuários também fizeram cobranças.

A moradora da Gleba Guarani, Maria do Carmo, de 62 anos, afirmou que depende diariamente do transporte coletivo para consultas médicas e acompanhamento na Associação dos Diabéticos de Foz do Iguaçu (DIF).

“A gente fica 40 minutos, uma hora esperando o ônibus. As pessoas acabam chamando Uber porque cansam de esperar”, relatou.

Ela contou dificuldades enfrentadas nos pontos.

“Eu cheguei 5h30 no ponto e o ônibus veio chegar quase 7 horas. A gente passa muito estresse nesses pontos, perde a metade da vida esperando ônibus”, afirmou.

Maria classificou a situação como humilhante.

“É humilhante às vezes, é estressante. Você tem médico em determinado horário e acaba chegando atrasada”, disse.

Ela defendeu mais ônibus, mais opções de transporte e melhores condições para os trabalhadores.

Estudantes protestam contra mudanças no passe livre

O representante de um coletivo estudantil da Unioeste e Unila, Eduardo Caoa Silva Procópio, afirmou que a principal preocupação dos estudantes é uma possível redução do passe livre.“O passe livre foi uma conquista que fizemos em 2022 e 2023 com muita articulação da juventude nas universidades. Foi uma conquista difícil e agora vemos essa conquista sendo atacada”, afirmou.

Segundo ele, o benefício vai além do acesso às aulas.“A intenção é democratizar o acesso à educação, mas também permitir que os estudantes tenham direito à cultura e ao lazer”, explicou.

Como usuário do transporte, Eduardo também criticou problemas atuais.“O transporte de Foz do Iguaçu há bastante tempo é muito precário. Temos atrasos, superlotação e problemas que continuam acontecendo”, disse.

Sindicato cobra direitos para trabalhadores

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Foz do Iguaçu (SITRO-FI), Rodrigo Andrade de Souza, afirmou que o novo modelo precisa considerar as condições dos trabalhadores.

“Para pensar em um transporte de qualidade, primeiro tem que pensar no trabalhador”, declarou.

Segundo ele, a categoria perdeu direitos após mudanças no contrato anterior.

“Foram retirados vários direitos. Precisamos negociar jornada de trabalho, plano de saúde, auxílio em caso de acidente de trabalho e outras cláusulas que foram suprimidas”, afirmou.

Rodrigo também citou preocupação com a possibilidade de mobilização da categoria caso não haja negociação.

“Independente de quem for ficar, nós vamos continuar lutando para reaver nossos direitos”, disse.

Debate deve continuar antes do edital

Ao final da audiência, o Foztrans afirmou que todas as contribuições apresentadas serão analisadas antes da publicação do edital.

A proposta agora segue para ajustes finais, com o objetivo de definir o novo modelo de concessão do transporte coletivo de Foz do Iguaçu para os próximos 20 anos.

Fonte: Rádio Cultura Foz

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