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Cleo usou o Pires, sobrenome da mãe, pelos últimos 15 anos, desde a sua estreia no cinema, no filme Benjamim, de Monique Gardenberg, em 2003. “Foi uma homenagem a ela”, explicou a atriz e também cantora, a partir desta segunda-feira, quando saiu o EP de cinco músicas Jungle Kid. Agora, ela dá chance ao desejo, também antigo, de ser tratada artisticamente pelo primeiro nome. “Agradeço também à minha mãe pelo nome que ela me deu. É muito único. Achava incrível que a Cher poderia não ter sobrenome. Cleo é exótico.”

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Na capa de Jungle Kid, seu primeiro nome está assim solitário, escrito por extenso. Ainda que não seja proposital, a opção entrega a ideia de ser um convite à intimidade da Cleo por trás das câmeras, que não está nas redes sociais. “Não (era intencional)”, explica, “mas eu entendo essa ideia. Você está mais exposta, mesmo. Não tem um personagem, por mais que você crie uma identidade visual, algo para amarrá-las, tudo é responsabilidade sua. Ninguém escreveu para você, não é possível dizer ‘ah, é culpa do diretor ou do roteirista’. As letras são mais expostas ainda.”

A partir da primeira canção, que dá nome ao disco, ela entrega a intimidade dos anos de infância. Com versos em inglês, ela canta, em tradução livre: “Crescer era cruel / Meu modelo de conduta era minha própria verdade / E a verdade seguia alternando entre vermelho e azul”. Na estrofe seguinte, ela canta: “Hoje, é claro para mim / Todo o caos que eu deixava sair, era a dor que existia em mim / Eu era só uma criança selvagem”.

A expressão, “criança selvagem”, era como Orlando de Morais, padrasto de Cleo, costumava chamar a garota ainda na infância. E é como ela gosta de descrever esse período aos amigos mais próximos. “Ele diz, até hoje: Você era um moleque selvagem”, ela diz e ri. “E é uma exata tradução de quem eu sou.”

Com cinco músicas, duas em português e três em inglês, Jungle Kid, o EP, é uma parcela da persona musical de Cleo, explica ela. Cada uma das faixas foi escolhida para mostrar a pluralidade da sua estética sonora, sempre costuradas por algo de noturno, ou “obscuras”, como ela diz. “No estúdio, o Guto (Guerra, produtor do EP) pedia para tentarmos fazer algo mais leve. A gente até tentava, mas, quando chegava o momento de colocar os sintetizadores, eu preferia algo superdenso”, explica. Ela se surpreendeu com a densidade que vinha dessas canções? “Na verdade, não. Eu queria não ser óbvia para mim, mesma”, ela diz.

Porque no gosto dela estão artistas do pop, como Rita Ora, Britney Spears e até Tati Quebra-Barraco, mas ela enche-se de vontade para falar de PJ Harvey, Slipknot, Leonard Cohen. No seu celular, atualmente, estão em alta o recém-descoberto por ela Thundercat, de hip-hop e do novo jazz da Costa Oeste norte-americana, o rapper Tyler, the Creator, Alice Caymmi (“o segundo disco dela é incrível”, ela diz) e MC Loma e as Gêmeas Lacração, donas do hit Envolvimento.

Há três anos, ela tatuou uma âncora na pele após ouvir, de uma astróloga, que ela era “uma pipa avoada e precisava de uma âncora para conseguir fazer tudo o que quisesse”. Desde então, Cleo garante, tem mais foco. Coincidência ou não, agora, ela realiza o desejo de ser artista da música mantido desde a adolescência. “Tive que me despir de tudo. Me expor. Deixar meu ego tomar porrada. Aprender”, ela diz. “E, depois, ir ao estúdio se tornou a melhor parte do meu dia.”

Cléo

Jungle Kid

Independente; Plataformas digitais

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As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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