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Golpistas usam fotos de criança com câncer para aplicar golpes com falsas vaquinhas

Quatro pessoas foram presas nesta terça-feira (14) no Sudoeste do Paraná durante a Operação Sophia, que investiga uma organização criminosa suspeita de criar falsas campanhas de arrecadação na internet utilizando imagens de crianças em tratamento contra o câncer.

A ação foi realizada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR), em apoio à Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS). As prisões ocorreram em Francisco Beltrão, onde três investigados foram detidos, e em Cruzeiro do Iguaçu, onde um homem foi preso.

Segundo as investigações, a quadrilha utilizava fotos e vídeos de campanhas reais, sem autorização das famílias, e recorria a ferramentas de inteligência artificial e clonagem de voz para alterar o conteúdo original e dar aparência de autenticidade aos anúncios. As publicações eram divulgadas em páginas falsas nas redes sociais, com nomes como “Clube de Doadores” e “Unidos pelo Amor”.

Ao clicar nos anúncios, as vítimas eram direcionadas para sites que imitavam plataformas conhecidas de arrecadação, como a Vakinha. Nessas páginas, era gerado um código Pix para pagamento, mas o dinheiro era transferido para contas de empresas de fachada controladas pela organização criminosa.

A Polícia Civil identificou que, apenas em uma das campanhas falsas, que utilizava a imagem da menina que deu nome à operação, foram desviados R$ 294,5 mil. As investigações também apontaram que uma empresa utilizada como núcleo financeiro do grupo movimentou mais de R$ 1,7 milhão durante o período apurado.

Em Francisco Beltrão, os policiais cumpriram três mandados de prisão preventiva. Um homem de 22 anos foi localizado no bairro Presidente Kennedy. Após novas diligências, outro homem, de 23 anos, e uma mulher, de 21 anos, foram presos no bairro Água Branca. No local, também foi apreendido um veículo alvo de ordem judicial.

Já em Cruzeiro do Iguaçu, um homem de 25 anos foi preso. Durante a ação, os policiais apreenderam um aparelho celular e um notebook.

A Operação Sophia cumpre 19 mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Além das cidades paranaenses, a operação também ocorre em Passo Fundo (RS), Dourados (MS), Vitória de Santo Antão (PE) e nos municípios paulistas de Piracicaba, São Paulo, São Vicente, Catanduva, Santana de Parnaíba e Sorocaba. Até a divulgação do balanço, 16 pessoas haviam sido presas.

Os quatro investigados detidos no Paraná foram encaminhados ao sistema prisional e permanecem à disposição da Justiça.

A Polícia Civil orienta que, antes de realizar qualquer doação pela internet, a população confirme a autenticidade da campanha, verifique os dados diretamente com a família ou instituição beneficiada e confira se o nome do destinatário da chave Pix corresponde ao verdadeiro responsável pela arrecadação.

A menina que deu nome à operação, Sophia, iniciou o tratamento contra o câncer em janeiro de 2025. No começo da doença, a família chegou a realizar uma campanha de arrecadação, que permaneceu ativa por poucas semanas para auxiliar nas despesas do tratamento. Após esse período, a vaquinha foi encerrada.

Meses depois, criminosos passaram a utilizar fotos e vídeos reais da criança para criar campanhas falsas nas redes sociais. Segundo a família, os golpistas produziram áudios com inteligência artificial, simulando pedidos de ajuda, e impulsionavam anúncios para atrair doações.

Os familiares, que vivem em Campo Bom (RS), afirmam que fizeram inúmeras denúncias às plataformas digitais e conseguiram derrubar diversas páginas. No entanto, a cada perfil ou anúncio removido, novas campanhas falsas eram criadas, mantendo o golpe em circulação e usando indevidamente a imagem de Sophia.

Catve.com

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